Não queremos com essa constatação culpar os diretores do sindicato, sabemos do enorme piano que carregam, das enormes dificuldades que temos. Uma categoria que perdeu completamente a cultura de luta de anos atrás, que estranha qualquer atitude de seu próprio sindicato, graças aos ataques que a categoria sofreu, a falta de respostas e a um vácuo de direção que durou longos anos. E que, apesar disso tudo, tem avançado na tentativa de tirar nosso instrumento de luta da mesmice.
PORQUE SOMOS OPOSIÇÃO?
REGIONAL - Temos visões diferentes de mundo, do papel do sindicato, modo de organização dos trabalhadores, objetivo das lutas... O que acaba modificando em substância o modo de conduzir as coisas. Para não ficar só no abstrato, vamos a alguns exemplos:
-Ao invés de aprofundar ainda mais o sindicato no assistencialismo, indo atrás de convênios e benefícios, temos que PRIORIZAR a mobilização da categoria: promover debates, ciclo de filmes político/sindicais, cursos de preparação e conscientização política do trabalhador, o real poder da classe trabalhadora, o que é classe, como somos importantes no processo do capital e muitos outros;
-Ao invés de somente promover debates sobre o meio ambiente, fotografia, etc, temos temas PRIORITÁRIOS sem os quais não conquistamos nada no presente e sequer avançamos em direção a uma categoria forte que discuta os temas necessários e ligados ao exercício do jornalismo, como as condições de trabalho, as terceirizações, um piso salarial maior, o jornalismo multitarefa, assédio moral na redação, mudanças pós-queda do diploma, para citar algumas demandas.
-NUNCA, nunca colocaríamos, por exemplo, na mesa de abertura de um congresso NOSSO um político do Democratas (DEM) partido representante máximo da burguesia e do reacionarismo brasileiro ou qualquer empresário que seja como aconteceu no Congresso Estadual realizado em Mongaguá/SP. Nosso sindicato faz parte da classe trabalhadora explorada há séculos pelos patrões, disso não podemos esquecer;
-Autonomia de classe: nossos churrascos/comemorações não podem ser bancados por Usiminas, presidente da Sabesp, DEM, deputada estadual Haifa Madi, como acontece atualmente na regional Santos;
ESTADUAL - Nossa categoria vem sofrendo inúmeras derrotas e o entreguismo generalizado das gestões que se sucedem estadualmente ajudam ainda mais nas derrotas:
-Pasmem, a jornalista do sindicato (Sede) é TERCEIRIZADA! Isso mesmo, a forma mais avançada de exploração do trabalho alheia e que tanto combatemos é a que usamos;
-No nosso boletim mensal temos a seção "Vai e vem do Mercado". Cacildas! Em qualquer sindicato sério o nome da seção seria "Demissões" e o texto retrata as respostas dadas para cada demanda;
-O Sindicato convocou assembleia para aprovar o novo plano de financiamento apenas um (1) dia antes! Pior ainda, somente por email! Resultado: assembleias vazias, aqui na Baixada Santista apenas três (3) jornalistas compareceram. Isso porque no nosso Congresso Estadual aprovamos uma AMPLA discussão na base sobre o assunto. Esse novo plano nem se quer foi mandado no email de convocação, somente no próprio Congresso foi distribuído. O mesmo, praticamente dobrou o repasse dado à CUT, os sócios sabem disso???
- O nosso sindicato é assistencialista como demonstrou o malfadado e enterrado Plano de Saúde, que trouxe apenas dívidas pagas até hoje e péssimo atendimento aos sócios. Abra o caderno de convênios e leiam a vergonhosa linguagem empresarial!
-Não deveríamos aceitar imposto sindical. Dinheiro vindo de forma compulsória, sem a consulta dos trabalhadores. Nossa entidade tem que ser financiada única e exclusivamente pelos trabalhadores que assim o quiserem e acreditam que apenas unidos venceremos a classe patronal;
CONCLUSÃO
Essa carta aberta vem no sentido de deixar clara nossa posição em relação a atual diretoria. Apoiamos e continuaremos oferecendo todo tipo de ajuda ao sindicato regionalmente, assim como o fizemos no ato que o mesmo conseguiu promover em 2010 (contra a medida que desobriga o diploma para exercício da profissão), conseguindo caminhão de som, panfletos, presença de diretores de outras categorias.